Resolvi
falar sobre o assunto, pois este é um tema que além de atual e comum em
qualquer sociedade, não importa qual seja a religião, a camada social,
raça e cor. O problema é uma ferida encrustada em nosso meio, acredito
que não ninguém que não o conheça, seja na sua própria família, na
vinhança ou tenha o visto muito próximo, se não conhece, pelo menos já
ouviu falar. A amplitude do problema é vasto, desde a violência
psicológica à física, da infância à velhice. Nossa responsabilidade
diante do problema é denunciá-lo, a falta dela leva a sua perpetuação,
tornando-o crônico e impune.
ABUSO SEXUAL
As
experiências de abusos (físico, psicológico e sexual) no contexto do
relacionamento íntimo entre pessoas, têm efeitos adversos a curto e em
longo prazo, como por exemplo, a questão da violência contra a(o)
companheira(o). De modo geral, as mulheres vítimas de abuso, recorrem
mais freqüentemente a serviços médicos, ficam mais dias de cama e exibem
mais sintomas de estresse e depressão, assim como pensamentos suicídas
ou tentativas de suicídio, transtorno de estresse pós-traumático, baixa
auto-estima, abuso de álcool e de outras drogas.
A
curto prazo a convivência com abusos denotam em várias reações
emocionais importantes como o medo, raiva, isolamento, ansiedade aguda,
somatizações de funções organicas (palpitações, dores, falta de ar,
etc), aumento gradual de doenças psicossomáticas (gastrointestinais,
cardiocirculatórias, etc) e angústia.
As
consequências da qualidade dos relacionamentos íntimos, sobre o estado
de saúde físico e mental, têm sido cada vez mais estudados. Se
continuadamente e a longo prazo o abuso sexual pode causar depressão,
disfunção ou inaptidão sexual, uso excessivo e dependência de drogas e
álcool, estresse pós-traumático e dissociamento (afastamento do convívio
com outras pessoas) ou isolamento, sentimentos de elevada desconfiança
em relação aos membros do sexo oposto, hipervigilância, tensão,
sobressaltos e baixa auto-estima, critérios suficientes para levar ao
diagnóstico de Transtorno de Estresse Pós-Traumático e Transtorno
Depressivo Maior.
O abuso no
relacionamento íntimo é um forte estressor, capaz de ocasionar na vítima
um processo de alterações neuropsíquicas, de natureza orgânica. A
importância das estruturas cerebrais e a troca de informações entre os
estímulos recebidos, as respostas a acionar e a carga emocional
respectiva, existe uma integração que modula a resposta imunológica e o
controlo das respostas autonômica e endócrina. Isto é, o aspecto
emocional age diretamente sobre o aspecto físico do abusado.
Experiências
repetidas sobre o estresse psicológico e suas consequências emocionais
negativas como depressão, hostilidade, raiva, agressão, estão todas
fortemente relacionadas com o sistema imunológico e com a saúde geral.
Alguns
autores e pesquisadores, compararam mulheres com e sem experiência de
abuso pelo companheiro e observaram que as mulheres abusadas reportam
maior número de sintomas físicos, tais como, dores de cabeça, dores de
costas, doenças sexualmente transmissíveis, dor pélvica, corrimentos
vaginais, dor no ato sexual, infecções urinárias, perda de apetite, dor
abdominal, problemas digestivos, e outros problemas relacionados ao
estresse crônico.
ABUSO SEXUAL NA INFÂNCIA

Até
alguns anos atrás, o abuso sexual de crianças era tratado como um tabu
na sociedade. Entretanto, de lá para cá essa proibição está sendo
quebrada, principalmente por conta da ação de movimentos feministas, por
ações e incentivos de organizações governamentais ou não e por
incentivo de governos ou órgãos destinado à recepção de denúncias
anônimas ou não. E o que tem sido denunciado e encontrado é alarmante,
não apenas em relação à freqüência de tais práticas, mas também em
termos de conseqüências biopsicossociais. A criança, além do sofrimento
durante o abuso sexual, também sofre danos a curto e a longo prazo,
precocidade efetiva modifica e compromete totalmente o desenvolvimento
da criança. O poder adulto na relação, ou seja, o fato do adulto ainda
possuir o papel de mandante, de dono e de ser superior, é fator
determinante da violência contra crianças, baseada numa cultura centrada
na opinião que o adulto sabe tudo e pode tudo. Outro fato importante
para a impunidade do abuso sexual infantil, é a superioridade que certos
homens exercem sobre certas mulheres no âmbito familiar, ou sejam, a
parte masculina impõe-se através do medo e da ameaça.
Caracteriza-se como abuso sexual, quando alguém se utiliza de uma
criança para sentir prazer sexual e é veemente, quando a criança é
incapaz ou não tiver idade para compreender, consequentemente provocando
culpa, baixa auto-estima, problemas com a sexualidade, dificuldade em
construir relações duradouras e falta de confiança em si e nas pessoas,
sua visão do mundo e dos relacionamentos se torna muito diferente do
jeito das outras pessoas.
A RESPONSABILIDADE DA DENÚNCIA
Diante diante, quando do conhecimento de uma situação de abuso sexual é
importante amparar a vitima, dando apoio, amizade e transmitindo
segurança, pois ela estará com sua confiança abalada e geralmente não
acredita que alguém possa ajudá-la.
Importante é, procurar ajuda para que o caso possa ser denunciado, pois é
através da denúncia que podemos combater o problema, a omissão, além de
permitir a continuidade e da impunidade do abuso, também é crime,
punido por lei. Entretanto, fechar os olhos e fingir que o abuso sexual
“só pode acontecer na família dos outros”, é o mesmo que negar sua
existência. Deixar de denunciar favorece sua perpetuação do problema.
É necessário romper o pacto de silêncio que encobre as situações de
abuso e contra mulheres, crianças e adolescentes. Não podemos nos
esconder atrás do medo ou não dar a significância e importância
apropriada para o fato. Denunciar é a única forma de ajuda efetiva.
Existem orgãos oficiais aos quais podemos recorrer e fazer a denuncia, são alguns deles:
Delegacias da Mulher:
Tem por principio, assegurar tranqüilidade da população feminina vítima
de violência, através de investigação, prevenção e repressão dos delitos
praticados contra a mulher, auxiliar as mulheres agredidas, seus
autores e familiares a encontrarem o caminho da não violência, através
de trabalho preventivo, educativo e curativo efetuado pelos setores
jurídico e psicossocial.
Conselhos Tutelares
Os Conselhos Tutelares foram criados para zelar pelo cumprimento dos
direitos das crianças e adolescentes. Cabe a eles, receber a notificação
e analisar a procedência de cada caso, visitando as famílias. Se for
confirmado o fato, o Conselho deve levar a situação ao conhecimento do
Ministério Público.
Varas da Infância e da Juventude
Nos município onde não há Conselhos Tutelares, as Varas da Infância e da Juventude podem receber as denúncias.
Delegacias de Proteção à Criança e ao Adolescentes
Compete a investigação e apuração de fatos em que a Criança ou o adolescente aparecem como vítimas.
DISQUE 100
O serviço do Disque Denúncia Nacional de Abuso e Exploração Sexual
contra Crianças e Adolescentes é coordenado e executado pela Secretaria
Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República.
Por meio do 100, o usuário pode denunciar violências contra crianças e
adolescentes, colher informações acerca do paradeiro de crianças e
adolescentes desaparecidos, tráfico de pessoas – independentemente da
idade da vítima – e obter informações sobre os Conselhos Tutelares.
O serviço funciona diariamente de 8h às 22h, inclusive nos finais de
semana e feriados. As denúncias recebidas são analisadas e encaminhadas
aos órgãos de defesa e responsabilização, conforme a competência, num
prazo de 24h. A identidade do denunciante é mantida em absoluto sigilo.
MITOS E VERDADES
1 - O agressor sexual normalmente é um psicopata, um tarado ou doente mental que todos reconhecem.
Na maioria das vezes, é uma pessoa aparentemente normal, até mesmo querida pelas crianças e pelos adolescentes.
2 - Pessoas estranhas representam perigo maior às crianças e adolescentes.
Os
estranhos são responsáveis por um pequeno percentual dos casos
registrados. Na maioria das vezes os abusos sexuais são perpetrados por
pessoas que já conhecem a vítima, como por exemplo o pai, a mãe,
madrasta, padrasto, namorado da mãe, parentes, vizinhos, amigos da
família, colegas de escola, babá, professor(a) ou médico(a).
3 - O abuso sexual está associado a lesões corporais.
A
violência física sexual contra crianças e adolescentes não é o mais
comum, mas sim o uso de ameaças e/ou a conquista da confiança e do afeto
da criança. As crianças e os adolescentes são, em geral, prejudicados
pelas conseqüências psicológicas do abuso sexual.
4 - O abuso sexual, na maioria dos casos, ocorre longe da casa da criança ou do adolescente.
O
abuso ocorre, com freqüência, dentro ou perto da casa da criança ou do
agressor. As vítimas e os agressores costumam ser, muitas vezes, do
mesmo grupo étnico e sócio-econômico.
5 - O abuso sexual se limita ao estupro.
Além
do ato sexual com penetração (estupro) vaginal ou anal, outros atos são
também considerados abuso sexual, como o voyeurismo, a manipulação de
órgãos sexuais, a pornografia e o exibicionismo.
6 - A maioria dos casos é denunciada.
Estima-se
que poucos casos, na verdade, são denunciados. Quando há o envolvimento
de familiares, existem poucas probabilidades de que a vítima faça a
denúncia, seja por motivos afetivos ou por medo do agressor; medo de
perder os pais; de ser expulso(a); de que outros membros da família não
acreditem em sua história; ou de ser o(a) causador(a) da discórdia
familiar.
7 - As vítimas do abuso sexual são oriundas de famílias de nível sócio-econômico baixo.
Níveis
de renda familiar e de educação não são indicadores do abuso e as
famílias das classes média e alta podem ter condições melhores para
encobrir o abuso. Nesses casos, geralmente as crianças são levadas para
clínicas particulares, onde são atendidas por médicos da família,
encontrando maior facilidade para abafar a situação.
8 - A criança mente e inventa que é abusada sexualmente.
Raramente a criança mente sobre essa questão. Apenas 6% dos casos são fictícios.
NÃO SE ABSTENHA, DENUNCIE!