quinta-feira, 8 de março de 2012

As Tribos de Israel

Estudo sobre que traz notas e biografias referente as tribos de Israel.
Legenda:» = Gerou/Concebeu.
Nome
3 =  Biografia ou Nota.
{ = Coabitou com…
  • Abraão1
    • Agar2 (Serva Egípcia de Sara)
      • » Ismael4 (Árabes)
    • Sara3 (Esposa de Abraão)
      • » Isaque5
        • Rebeca6
          • Jacó7(Povo de Israel)
      • » Esaú8
        • Casou-se com duas mulheres cananéias  (Pai de Edom9)  
          Pais das tribos de Israel
        • Mulheres de Jacó7
          • Léia10
            • » Rúben11
              • Outros Filhos: Diná17
            • » Simeão12
            • » Levi13
            • » Judá14
            • » Issacar15
            • » Zebulom16
          • Zilpa18  (Serva de Léia10)
            •  » Gade19
          • Bila20 (Serva de Raquel21)
            • » 22
            • » Naftali23
          • Raquel21
            • » José24*
            • » Benjamin25
        *José24 gerou dois filhos: Efraim26 e Manassés27 que formavam as duas meia-tribos, cada uma herdou o território da terra prometida. Portanto, o nome de José não consta nos mapas que mostram as divisões das tribos.
        Eis os nomes das doze tribos de Israel:
        1º)Rúben2º)Simeão
        3º)Levi
        4º)Judá
        5º)Issacar
        6º)Zebulom
        7º)Gade
        8º)
        9º)Naftali
        10º)Benjamin
        11º)Efraim
        12º)Manassés.

        Biografia e Notas: 
          1) ABRAÃO (ABRÃO)
        A provável significação de Abrão é: O pai é engrandecido. A forma mais extensa não quer dizer coisa alguma, mas por uma semelhança de som sugere a significação hebraica de "pai da multidão" (Gn 17.6). Fundador da nação judaica (como se vê em Js 24.2; 1 Rs 18.86; Is 29.22; Ne 9.7; etc.; Mt 1.1; 3.9, etc. ). Acha-se descrita a sua vida em Gn 11.26 a 26.10. Terá, descendente de Sem, saiu de "Ur da Caldéia" com seu filho Abrão e sua nora Sarai, e seu sobrinho Ló, para Harã, onde fixou residência, não indo, como tencionava, "para ir à terra de Canaã" (Gn 11.31). Depois da morte de Terá, ouviu Abraão a divina chamada, e procurou nova terra; recebeu, então, de Deus a primeira promessa com bênçãos a respeito da futura grandeza da sua descendência (Gn 12.1). Guiados por Deus, dirigiram-se Abraão, Sarai e Ló com os seus haveres e servos, à terra de Canaã, e vemos depois toda a família na rica planície de Moré, perto de Siquém, nas faldas dos dois famosos montes Ebal e Gerizim. Aí edificou ele um altar ao Senhor, e recebeu a primeira promessa, clara e distinta, de que aquela terra seria dos seus descendentes (Gn 12.7). Depois retirou-se para outro lugar, na região montanhosa entre Betel e Ai, e aí se conservou em segurança até que a fome o levou para o Egito. Neste país, o seu artifício com respeito a Sarai obrigou-o a uma situação humilhante perante Faraó. A sua riqueza e o seu poder já eram consideráveis. Ao voltar do Egito, ele separou-se de seu sobrinho L6 e foi habitar no vale de Manre, perto de Hebrom, a futura capital de Judá, que estava na linha de comunicação com o Egito, e nas proximidades do deserto e das terras de pastagem de Berseba. No ataque a Quedorlaomer (Gn 14), Abrão já é o principal de uma pequena confederação de chefes, e bastante poderoso para perseguir o inimigo até à entrada do vale do Jordão, combatendo com bom êxito uma grande força, e libertando Ló. E com esta vitória pôde deter por algum tempo a corrente das invasões do norte. No cap. 15 confirma-se a promessa de uma inumerável descendência em face da objeção de Abrão de que não tinha filhos; assume, então, a sua fé uma tal proeminência na teologia judaica e cristã que, dizem os autores sagrados, "ele creu no Senhor, e isso lhe foi imputado para justiça" (Gn 16.6; cp. Rm 4.3; 9.7; Gl 3.6; Tg 2.23). É, ainda, ratificada a promessa por meio de um pacto entre o Senhor e Abrão; mas antes de cumprir-se pelo nascimento de Isaque, é a sua fé provada pela demora, e fortalecida com uma disciplina moralizadora. Os caps. 16 a 20 contêm narrativas do nascimento de Ismael, filho de Abrão e de Hagar, que era serva de Sarai, e também a respeito da circuncisão, instituída como selo do pacto, e da mudança dos nomes de Abrão para Abraão e de Sarai para Sara. Nesses mesmos capítulos se narra a visita dos anjos e a especial promessa de que Abraão e Sara haviam de ter um filho dentro do espaço de um ano; a intervenção de Abraão pela cidade de Sodoma; a destruição das cidades da planície; a salvadora fuga de L6; e a segunda decepção a respeito de Sara (Cp. com o cap. 12, e vede Abimeleque). Depois do nascimento de Isaque, e da expulsão de Ismael a favor do "filho da promessa" (cap. 21), a história silencia por alguns anos, até que, na infância de Isaque, aparece a dura prova de fé a Abraão na ordem que recebeu para oferecer o seu filho em sacrifício (cap. 22). Em vista do uso de sacrifícios humanos, tão generalizado entre as nações pagãs circunvizinhas, tal ordem podia ser prontamente considerada, sem qualquer repugnância, como vontade de Deus. O seguimento da narrativa nos mostra Abraão e sua fortíssima fé, com a declaração de que para o Senhor Deus de Israel era melhor a "obediência" que o "sacrifício". Ainda que a vida de Abraão se tenha prolongado por 60 anos depois deste acontecimento, os únicos incidentes que se acham pormenorizados são a morte de Sara, a compra da gruta de Macpela para sepultura (cap. 23), e o casamento de Isaque com Rebeca (cap. 24). A morte de Sara foi em Quiriate-Arba, isto é, em Hebrom, devendo por isso voltar Abraão, de Berseba, à sua antiga casa. É realmente significativo (At 7.5) o fato de ter sido a herança de Abraão na terra da promessa apenas um túmulo (*veja Gn 60.18). Na bela história do casamento de Isaque é deveras digno de nota o ter Abraão recusado a aliança do seu filho com as idólatras de Canaã. Finalmente menciona o livro de Gênesis o seu casamento com Quetura, e a sua morte na idade de 175 anos. O seu herdeiro Isaque, bem como o exilado Ismael, sepultaram-no ao lado de Sara na cova de Macpela. Abraão representa, no N.T., o verdadeiro ideal da religião, quer pela sua fé (Rm 4. 16 a 22), quer pelas suas obras (Tg 2.21 a 28). Jesus mesmo diz dele: "Vosso pai Abraão alegrou-se por ver o meu dia" (Jo 8.56). S. Tiago (2.23) chama-lhe "O amigo de Deus" (cp.com Is 41.8; 2 Cr 20. 7), designação que entre os árabes substituiu o seu próprio nome (Kalil Allah, ou simplesmente Kalil, o Amigo).
        2) HAGAR
        Escrava egípcia, pertencente a Sara, e por esta cedida a Abraão para que lhe desse filho (Gn 16). Hagar, quando viu que era mãe, sendo a sua senhora mulher estéril, ficou tão entusiasmada que chegou a irritar Sara; e então foi a escrava compelida a abandonar as tendas de Abraão e a esconder-se no deserto. Um anjo a encontrou e a aconselhou a voltar para casa, submetendo-se a Sara. Para comemorar esta visão (Gn 16.14), deu-se ao lugar o nome de Beer-Laai-Roi. Quando seu filho Ismael tinha quatorze anos, e Sara estava celebrando com grande regozijo o ato de desmamar o seu filho Isaque, outra vez Hagar insultou a sua senhora. Percebendo Abraão que as duas mulheres não podiam viver juntamente, despediu Hagar a pedido de Sara, e desta vez definitivamente (Gn 21.14). No deserto é Ismael miraculosamente salvo da morte. Os árabes, que são os descendentes de Ismael, chamam a Hagar "a mãe Hagar", e sustentam que ela era esposa legítima de Abraão. O apóstolo Paulo toma Hagar como um símbolo do antigo pacto (Gl 4.22), sendo os seus descendentes segundo a Lei escravos como o era ela. Mas Sara era livre e como tal era figura de Jerusalém celestial; e sendo assim, o cristão é avisado para que não esteja preso à Lei de Moisés, correndo o perigo de ser também banido com Hagar e Ismael.
        3) SARA
        Princesa. A mulher de Abraão (Gn 11.29), e, segundo o Gn 20.12, era também sua meia irmã. A respeito da sua vida, *veja Abraão. Ela morreu na idade de cento e vinte e sete anos, sendo sepultada na caverna de Macpela (Gn 11.29 a 23.20). É ela (Gl 4.22 a 31) o tipo da "Jerusalém lá de cima". As suas excelências são recordadas em Hb 11.11; 1 Pe 3.6.
        4) ISMAEL
        O Senhor me ouve. Filho de Abraão e de Hagar, a serva de Sara (Gn 16.11 a 16). Hagar tinha saído da casa de Abraão por causa de uma questão com Sara. Apareceu-lhe o anjo do Senhor, que lhe ordenou que voltasse para junto de seus senhores, revelando-lhe ao mesmo tempo que de Abraão ela havia de ter um filho, ao qual daria o nome de Ismael. Foi também declarado que ele seria um homem bravo e feroz, cuja "mão será contra todos, e a mão de todos contra ele". Obedecendo à ordem angélica, voltou Hagar para sua casa e teve Ismael, justamente treze anos antes do nascimento de Isaque. Anos mais tarde, Sara, irada por causa da zombaria de Ismael, induziu Abraão a expulsar de casa tanto o filho como a mãe (Gn 21.14). Hagar e Ismael andaram errantes pelo deserto de Berseba, sendo miraculosamente salvos quando estavam na mais aflitiva situação; e recebeu Hagar a promessa divina de que Ismael havia de ser o pai de uma grande nação. A Mãe e a criança habitaram no deserto de Parã, tornando-se aí Ismael um hábil frecheiro, habituado à fadiga e às privações. Sua mãe o casou com uma mulher egípcia, de quem teve doze filhos (Gn 25.13) e uma filha, Maalate, ou Basemate, que casou com Esaú (Gn 28.9; 36.3). Os descendentes dos doze filhos de Ismael formavam doze tribos de árabes, subsistindo ainda alguns dos seus nomes. É interessante a observação de que Maomé afirmava ser descendente de Ismael em linha direta. Assim como Ismael tinha estado presente no funeral de Abraão, juntamente com todos os outros filhos do patriarca, assim também ele foi sepultado na presença de todos os seus irmãos (Gn 25.18).
        5) ISAQUE
        Riso. Era filho de Abraão e Sara. Foi-lhe dado este nome por sua mãe, porque, quando um anjo lhe anunciou que havia de ter um filho, embora já tivesse passado a idade de ter filhos, ela riu-se consigo (Gn 18.10 a 12). Quando nasceu o menino, disse ela: "Deus me deu motivo de riso" (Gn 21.6). O nascimento de Isaque foi assunto de várias profecias e promessas. Esse fato foi por Deus adiado até serem já velhos Abraão e Sara, a fim de ser pelo Senhor experimentada a fé dos Seus servos, e tornar evidente que a criança era um dom de Deus, um filho da promessa (Gn 17.19). Nasceu Isaque em Gerar, sendo já seu pai da idade de cem anos. Quando foi desmamado, zombou dele o seu irmão Ismael, filho de Hagar (Gn 21.9); e mais tarde esteve a ponto de ser sacrificado pelo seu pai, havendo então a intervenção de Deus (Gn 22.6 a 19). Casou, quando tinha quarenta anos, e teve dois filhos, Jacó e Esaú, de sua mulher Rebeca, que era também sua prima. Estava já na sua meia idade quando a fome o levou a Gerar, onde Deus lhe apareceu, proibindo-lhe que fosse ao Egito. Foi, também, naquela povoação que ele repetiu o erro de Abraão, sujeitando-se à censura de Abimeleque por ter declarado falsamente que Rebeca era sua irmã (Gn 26.7). Vindo a ser um homem rico apesar da oposição dos filisteus, ele edificou em Berseba um altar ao Senhor. Quando o seu filho Jacó obteve de modo enganador a sua bênção, Isaque o mandou para Padã-Arã (Gn 28.5), de onde, passados anos, ele voltou em prosperidade e com numerosa família. Viveu até a idade de 180 anos, e foi sepultado em Macpela pelos seus filhos, na mesma sepultura em que ele e seu irmão Ismael tinham colocado muitos anos antes o corpo de Abraão.
        6) REBECA
        Filha de Betuel, que foi encontrada pelo servo de Abraão na cidade de Naor, em Padã-Arã, e trazida para a Palestina a fim de ser a mulher de Isaque (Gn lm 24). Depois de, pelo espaço de dezenove anos, viver estéril, veio finalmente a ser mãe de Esaú e Jacó (Gn 25.20 a 26). Rebeca favorecia o seu filho mais novo, e induziu-o a enganar o pai (Gn 27); e, quando ela recebeu as conseqüências da cólera de Esaú, persuadiu Isaque a que mandasse Jacó para Padã-Arã, onde estava a sua família. Rebeca já não é mencionada quando Jacó voltou para seu pai, e por isso se supõe que ela tivesse morrido durante a estada de seu filho em Padã-Arã. Paulo refere-se a Rebeca como tendo sido ela conhecedora dos desígnios de Deus, a respeito dos seus filhos, antes de eles terem nascido (Rm 9.10).
        7) JACÓ
        Suplantador. O filho mais novo de Isaque e Rebeca. Na ocasião do seu nascimento ele segurava na mão o calcanhar do seu irmão gêmeo, Esaú, e foi por causa disto que ele recebeu o seu nome (Gn 25.26). Não devemos, porém, supor que este nome era desconhecido antes deste fato, pois ele se encontra gravado em inscrições muito mais antigas. Jacó era dotado de temperamento meigo e pacífico, e gostava de uma vida sossegada e pastoril. E era nisto muito diferente do seu irmão, que amava a caça, e era de caráter altivo e impetuoso! Quanto à predileção que tinha Rebeca por Jacó, e às suas conseqüências, *veja a palavra Esaú. Foi por um ardil que Jacó recebeu do seu pai Isaque, já cego, aquela bênção que pertencia a Esaú por direito de nascimento. Este direito de primogênito já tinha sido assunto de permutação entre os irmãos, aproveitando-se Jacó de certa ocasião, em que Esaú estava com fome, a fim de tomar para si os privilégios e direitos de filho mais velho. Embora fosse desígnio de Deus que a sua promessa a Abraão havia de realizar-se por meio de Jacó, contudo os pecaminosos meios empregados por mãe e filho foram causa de resultados tristes. Ambos sofreram com a sua fraude, que destruiu a paz da família, e gerou inimizade mortal no coração de Esaú contra seu irmão (Gn 27.36 a 41). O ano de ausência (Gn 27.42 a 44), que Rebeca imaginou ser suficiente para abrandar a cólera de Esaú, prolongou-se numa separação de toda a vida entre mãe e filho. Antes da volta de Jacó já Rebeca tinha ido para a sepultura, ferida de muitos desgostos. O ódio de Esaú para com Jacó foi perdurável, e, se Deus não tivesse amaciado o seu coração com o procedimento de Jacó, ele sem dúvida teria matado seu irmão (Gn 27.41). Antes de Jacó fugir da presença de Esaú, foi chamado perante Isaque, recebendo novamente a bênção de Abraão (Gn 28.1 a 4). Ele foi mandado a Padã-Arã, ou Harã, em busca de uma mulher de sua própria família (Gn 28.6). Foi animado na sua jornada por uma visão, recebendo a promessa do apoio divino. Todavia foi forçado a empregar-se num fastidioso serviço de sete anos por amor de Raquel; e, sendo no fim deste tempo enganado por Labão, que, em vez de Raquel, lhe deu Lia, teve Jacó de servir outros sete anos para casar com Raquel, a quem ele na verdade amava. Depois disto, foi ainda Jacó defraudado por Labão numa questão de salários; e foi somente depois de vinte anos de duro serviço, que conseguiu ele retirar-se furtivamente, com sua família e bens (Gn 31). Queria Labão vingar-se de Jacó pela sua retirada, mas Deus o protegeu. O ponto em que principia uma mudança na vida de Jacó foi Penuel; ali foi humilhado pelo anjo, e renunciou aos seus astutos caminhos, aprendendo, por fim, a prevalecer com Deus somente pela oração. Ele teve grandes inquietações domésticas: a impaciência da sua favorita mulher Raquel, com os seus queixumes, "Dá-me filhos, senão morrerei"; a morte dela pelo nascimento de Benjamim; o pecado da sua filha Diná (Gn 34.5 a 26), e a conseqüente tragédia em Siquém; o mau procedimento de Rúben, e o desaparecimento de José, vendido como escravo; todos estes males juntos teriam levado Jacó à sepultura, se Deus não o tivesse fortalecido. Deus foi com ele, sendo calmos, felizes e prósperos os últimos dias do filho de Isaque. Quase que as suas últimas palavras foram a predição da vinda do Redentor (Gn 49.10). Doze filhos teve Jacó, sendo somente dois, José e Benjamim, os nascidos de Raquel. A certos fatos faz referências o profeta Oséias (12.2 a 12). *veja também Dt 26.5. 2. O pai de José, casado com Maria (Mt 1.15, 16).
        8) ESAÚ
        Cabeludo. Filho de Isaque e Rebeca, e irmão gêmeo de Jacó. Atribui-se o seu nome ao fato de ter aparecido no seu nascimento "ruivo, todo revestido de pelo" (Gn 25.2ó). O seu outro nome, Edom (vermelho), usado pelos seus descendentes, foi derivado da sopa de lentilhas, de cor avermelhada, que ele obteve de Jacó, quando, vindo da caça, estava esfomeado (Gn 25.30). Esaú era caçador, homem do campo, ao mesmo tempo impetuoso e valente, contrastando, assim, de modo notável com o pacífico, meigo e prudente Jacó. Ele era generoso e considerado "homem do mundo". O procedimento de Esaú, vendendo o seu direito de primogênito, foi caprichoso e profano. Foi um ato profano porque as bênçãos que acompanhavam a primogenitura eram não só de caráter civil, mas também espirituais: as promessas feitas por Deus a Abraão tinham a sua realização na linha dos primogênitos. Estes altos privilégios foram desprezados por Esaú, que é, por isso, citado pelo autor da epístola aos Hebreus como tipo de todos aqueles que se afastam de Cristo (Hb 12.16, 17). Quando tinha quarenta anos de idade, casou Esaú com duas mulheres cananéias, sendo este ato causa de grande desgosto para Isaque e Rebeca (Gn 26.34). Esaú, pelo fato da transferência das bênçãos, sendo extraordinariamente lesado por seu irmão Jacó, prometeu vingar-se dele (Gn 27.41). Mas Rebeca tratou de mandar Jacó para a casa de seus parentes, na Mesopotâmia (Gn 27.43). Quando Jacó estava de volta para a terra de Canaã, veio encontrar o seu irmão, próspero na vida e muito rico; e sendo Esaú dotado de caráter generoso, não só perdoou a seu irmão, mas ofereceu-se para escoltá-lo até à sua casa, no monte Seir. Jacó aceitou, mas acusado por sua consciência, evidentemente receava servir-se da oferecida escolta (Gn 32.6 a 8). O próximo encontro de Esaú e Jacó foi no funeral de Isaque, quase 20 anos depois. Desta vez tomou Esaú a sua parte, que tinha na herança, e, afastando quaisquer pensamentos de inimizade que lhe viessem a respeito da bênção, voltou para o monte Seir. E desejando fazer daquela região a sua pátria, expulsou os primitivos habitantes (Gn 36.8).
        9) EDOM
        Vermelho. Foi este o nome dado a Esaú por motivo da cor vermelha da sopa de lentilhas, pela qual ele vendeu a Jacó o seu direito de primogenitura (Gn 25.30; 36.1). 2. O país que nos tempos do N.T. era conhecido pelo nome de Iduméia (Mc 3.8). Primitivamente se chamava "monte Seir" (escabroso), e era então habitado pelos horeus (Gn 14.6). Estendia-se desde o mar Morto até ao mar Vermelho, sendo Elate e Eziom-Geber os portos idumeus (Dt 2.8). É um território estreito e montanhoso, com 160 km de comprimento por 32 de largura, sendo a altura média acima do nível do mar uns 600 metros. Limita-se ao oriente pelo deserto da Arábia, sendo a sua fronteira ocidental vizinha de Judá. É uma região de profundos vales e de férteis planícies, com um clima magnífico, mas o aspecto geral do país é áspero e inculto (Jr 49.16; e Ob 3.4). Foi esta terra que Esaú ocupou logo depois da morte de seu pai Isaque (Gn 36.6 a 8). Foi subjugada pelos seus descendentes (Dt 2.12). Os idumeus (descendentes de Esaú ou Edom) eram um povo guerreiro, habitantes das cavernas, como tinham sido os horeus, a quem eles tinham afugentado daqueles sítios (Jr 49.16), sendo além disso idólatras (2 Cr 25.14). Eles recusaram aos hebreus a passagem pelo seu território (Nm 20.14 a 21 e 21.4), e foram acusados de inveterado ódio para com o povo israelita (Ez 25.12). Saul fez guerra aos idumeus, e Davi os subjugou completamente depois de terrível carnificina (1 Sm 14.47; 2 Sm 8.14). A partir deste tempo ficaram os reis de Edom tributários dos reis de Judá até ao reinado de Josafá (1 Rs 22.47). A partir daí mantiveram a sua independência e fizeram repetidos ataques a Judá (2 Cr 28.17). A sua hostilidade perversa (Ez 25.12) trouxe sobre eles os males profetizados por Isaías (34.5 a 15; 63.1 a 6), por Jeremias, (49.7 a 12, e nas Lm 4.21), por Ezequiel (25.14), por Joel (3.19), e por Amós (1.11,12). Durante o tempo do cativeiro dos israelitas, avançaram os idumeus na direção do noroeste, ocupando muitas cidades ao sul de Judá e Simeão; mas ao mesmo tempo perderam a parte meridional do seu próprio território, sendo-lhes conquistado pelos nabateanos, poderosa tribo de árabes. Em tempos posteriores o nome de Edom, ou Iduméia, estendia-se a todo o território desde o deserto da Arábia até ao Mediterrâneo. Era Bozra (Bezer) a cidade capital, mas a principal fortaleza era Petra (Sela), esse maravilhoso e quase inexpugnável lugar, talhado na rocha viva (*veja Petra). As palavras dos profetas foram completamente cumpridas - "Edom se fará um deserto abandonado" (Jr 49.17; Jl 3.19). É hoje de tal sorte o deserto de Edom, que a gente se espanta, e pergunta como é que uma região tão estéril e acidentada pôde, em tempos antigos, ser adornada de cidades, e habitada por um poderoso e opulento povo! O seu atual aspecto devia desmentir a sua história, se essa história não fosse confirmada por muitos vestígios de sua primitiva grandeza, pelos sinais de uma antiga cultura, isto é, pelas ruínas de cidades e fortificações, vendo-se ainda também os restos de muralhas e de estradas empedradas.
        10) LÉIA
        Ora, Labão tinha duas filhas; o nome da mais velha era [Léia], e o da mais moça Raquel”. (Gn. 29:16).

        Nomes referentes às doze Tribos

        11) RÚBEN
        Eis um filho! O filho mais velho de Jacó e Lia (Gn 29.32). Em resultado do seu mau procedimento perdeu o direito de primogênito e todos os privilégios aderentes à primogenitura (Gn 35.22). Ele livrou José da morte, opondo-se a seus irmãos (Gn 37.22). No Êxodo continha a tribo de Rúben 46.500 homens de mais de 21 anos, e aptos para o serviço (Nm 1.20,21; 2.11); e em poder estava em sexto lugar. Alguns morreram na conspiração de Coré (Nm 16.1; Dt 11.6). A sua herança foi um território do lado oriental do rio Jordão, limitado ao norte pelo ribeiro de Jazer, ao sul pelo ribeiro de Arnom, ao ocidente pelo Jordão, e ao oriente pelas montanhas de Gileade. Este território, com o nome moderno de Belca, é "ainda estimado acima de todos os outros pelos possuidores de gado lanígero. É rico de água, coberto de boa relva, e manifesto aos olhos de todos nestes ilimitáveis terrenos incultos, que sempre foram e sempre hão de ser o favorito recurso das errantes tribos pastoris". Os descendentes de Rúben foram a pouco e pouco perdendo toda a associação de sentimentos e de interesse com as tribos ocidentais, afastando-se, além disso, do culto ao Senhor. E desaparecem da história, quando foram levados para a Mesopotâmia por Tiglate-Pileaer (1 Cr 5.26). Não há indicação alguma de que qualquer juiz, profeta ou herói tivesse pertencido à tribo de Rúben.
        12) SIMEÃO
        Ouvindo. Filho de Jacó e de Lia (Gn 29.33; 34.25). Predisse Jacó que Simeão e Levi, por causa da sua crueldade para com os siquemitas, não teriam porção determinada na Terra da Promissão: "dividi-los-ei em Jacó, e os espalharei em Israel" (Gn 49.5,7). No tempo da fome, foi Simeão conservado prisioneiro por José, como uma segurança de que seus irmãos voltariam ao Egito (Gn 42.24,36). Não é dada a razão da escolha. A tribo de Levi nunca teve qualquer porção determinada do território; e a de Simeão recebeu apenas uma parte da terra, desmembrada de Judá (Js 19.1, etc.), e certos territórios nas montanhas de Seir e desertos de Gedor (1 Cr 4.39,42), que eles à força tiraram aos seus primitivos habitantes. Era pequena a tribo de Simeão, sendo em pequeno grau a sua multiplicação (1 Cr 4.27). Na numeração feita no Sinai, era relativamente grande, pois que forneceu 59.300 combatentes (Nm 1.23; 2.12,13); mas na segunda contagem, em Sitim, era a menor de todas as tribos (Nm 26.14). A sua situação, na marcha pelo deserto, era na parte sul do tabernáculo sob o estandarte de Rúben (Nm 2.12). Houve grande mortandade na tribo, após a sua idolatria em Peor. Josias destruiu os ídolos dos simeonitas (2 Cr 34.6). Davi refugiou-se nas suas terras e deu-lhes parte dos despojos dos amalequitas; e, quando ele subiu ao trono, assistiu à sua coroação em Hebrom um certo número de pessoas daquela tribo (1 Cr 12.23 e seg.).
        13) LEVI
        O terceiro filho de Jacó, por Lia. Associou-se com seu irmão Simeão na terrível vingança contra os homens de Siquém pelo fato de ter sido seduzida a sua irmã Diná (Gn 34). Noutras passagens da sua vida, ele figura simplesmente como um dos filhos de Jacó.
        Levitas = Todos os sacerdotes do povo escolhido eram levitas, isto é, descendentes de Levi por Coate (segundo filho de Levi), e Arão. Mas Levi teve outros filhos, cujos descendentes ajudavam os sacerdotes, formavam a guarda do tabernáculo, e o transportavam de lugar para lugar (Nm 4.2,22,29). No tempo de Davi, toda a família achava-se dividida em três classes, cada uma das quais estava subdividida em vinte e quatro ordens. A primeira classe estava ao serviço dos sacerdotes; a segunda formava o coro dos cantores do templo; e a terceira constituía o corpo dos porteiros e guardas do templo (1 Cr 24,25,26). Para sustentar todos estes homens, tinham-lhes sido concedidas quarenta e oito cidades, com uma faixa de terra em volta de cada uma delas; e tinham, também, o dízimo de todos os produtos e gado do pais (Lv 27.30; Nm 35.1 a 8); desse dízimo cabia aos sacerdotes a décima parte. Além disso, todos os levitas participavam do dízimo dos produtos, que geralmente o povo tinha de empregar naquelas festas, para as quais eram eles convidados (Dt 14.22 a 27).
        14) JUDÁ
        Louvor. É este um nome que em diversos lugares aparece com a forma de Judas e de Juda. E também a Judéia se chama Judá em certo número de exemplos. 1. Pela primeira vez ocorre em Gn 29.35; é Lia que dá esse nome ao seu quarto filho quando disse: "Esta vez louvarei o Senhor. E por isso lhe chamou Judá." Nasceu em Harã, na Mesopotâmia. À exceção de José, ele figura mais vezes na história de Israel do que qualquer dos seus irmãos. Foi ele que aconselhou a venda de José aos mercadores ismaelitas, querendo evitar a sua morte (Gn 37.26,27). Ele se nos apresenta como o diretor dos negócios da família e, como se diz em 1 Cr 5.2, "foi poderoso entre os seus irmãos". Naquelas memoráveis viagens ao Egito, para comprar trigo, foi Judá que fez objeções ao fato de querer Jacó conservar Benjamim junto de si; e foi ele também que, oferecendo os seus próprios filhos como reféns, fez todos os esforços para trazer de novo Benjamim (Gn 43.3 a 10). Em todas as ocorrências dramáticas entre os filhos de Israel e seu irmão José, bem como no caso de ser a família removida para o Egito, foi Judá quem sempre falou pelos outros. E Jacó reconheceu a ascendência de Judá sobre seus irmãos, o que se mostra nas últimas palavras que o patriarca lhe dirigiu: "os filhos de teu pai se inclinarão a ti" (Gn 49.8 a 10). Judá teve cinco filhos, dois dos quais morreram novos. Os outros três, Selá, Perez e Sera, foram com seu pai para o Egito (Gn 46.12). Estes filhos nasceram na Palestina numa parte do país, de que a família, já uma tribo, se apossou de novo, no tempo da conquista.
        15) ISSACAR
        O portador do salário. O quinto filho de Jacó e Lia. O que sabemos da sua vida é que ele teve quatro filhos, Tola, Puva, Jó e Sinrom (Gn 46.13). Estes indivíduos foram fundadores de famílias importantes na sua tribo, sendo a sua posição ao oriente do tabernáculo durante a marcha no deserto (Nm 2.5). Issacar ia com Judá e Zebulom à frente das tribos (Nm 10.15). Tinham as três tribos um estandarte em comum, no qual se achavam inscritos os seus nomes e a figura de um leãozinho. A tribo de Issacar foi, também, uma das seis que foram nomeadas para assistirem à cerimônia da maldição e da bênção, no monte Gerizim (Dt 27.12). Apesar da desastrosa mortalidade em Peor, a tribo de Issacar aumentou rapidamente durante a marcha para a Terra da Promissão, porque sendo no Sinai de õ4.400 o número dos seus combatentes, estava já em 145.600 no censo de Joabe (1 Cr 7.2 a 5). Quando os israelitas chegaram à Terra Prometida, recebeu esta tribo, na divisão das terras, algumas das melhores e mais férteis porções ao longo da grande planície ou vale de Jezreel, com a meia tribo de Manassés ao sul, Zebulom ao norte, formando o mar Mediterrâneo e o rio Jordão, respectivamente, os seus limites, ocidental e oriental (Js 19.17 a 23). Depois de se estabelecerem em Canaã, cessou quase inteiramente a conexão entre Judá e Issacar, mas manteve-se perfeitamente até à dispersão o laço fraternal com Zebulom. A bênção de Jacó evidentemente tinha relação com a grande fertilidade da porção de Issacar na Terra Prometida. "Issacar é jumento de fortes ossos, de repouso entre os rebanhos de ovelhas. Viu que o repouso era bom, e que a terra era deliciosa; baixou os ombros à carga, e sujeitou-se ao trabalho servil" (Gn 49.14, 15). Eis aqui uma descrição pitoresca de um povo agrícola que vive pacificamente, feliz com a fecundidade da sua terra, desejando pagar o tributo aos seus violentos e saqueadores vizinhos do norte. No tempo de Davi, grande número da tribo tinha-se entregado a uma vida errante, tornando-se mercenários quando o seu auxilio era desejado (1 Cr 7.1 a 5). Pelo espaço de vinte e seis anos governaram o povo de Israel reis de Issacar.
        16) ZEBULOM
        Foi o décimo filho de Jacó (Gn 30.20). Quando a tribo de Zebulom partiu do Egito contava 57.400 homens capazes de pegar em armas. Aproximadamente 40 anos mais tarde, o número de guerreiros elevava-se a 60.500. O território cedido a Zebulom, na Terra da Promissão, ficava de certo modo entre o mar de Tiberíades e o Mediterrâneo (Gn 49.13). A referência em Dt 33.19, "chuparão a abundância dos mares e os tesouros escondidos da areia" tem sido interpretada no sentido de entregar-se mais tarde a respectiva tribo ao comércio, à pesca e à fundição de metais e do vidro. O rio Belo, cuja areia se adaptava à fabricação do vidro, corre no território de Zebulom. As "saídas", a que se refere o vers. 18 do cap. 33 do Deuteronômio, são as da planície do Aca; e o monte a que se refere o vers. 19 é a eminência sagrada do Tabor, que Zebulom havia de repartir com Issacar. O "caminho do mar" (Is 9.1), a grande estrada de Damasco ao Mediterrâneo, atravessava uma boa parte do território de Zebulom e devia ter o seu povo em comunicação com os negociantes da Síria, Fenícia e Egito. As tribos de Zebulom e Naftali distinguiram-se na guerra de Baraque e Débora contra Sísera, o general dos exércitos de Jabim. (*veja, também, Nm 1.9,30; 26.26,27; Js 19.10; Jz 4.6,10; 5.14,18.) As povoações de Nazaré, Caná, e Tiberíades estavam situadas dentro dos limites de Zebulom (Is 9.1; Mt 4.13,15).
        17) DINÁ
        Julgado ou vingado. Filha de Jacó e de Lia; ela acompanhou seu pai desde a Mesopotâmia até Canaã, e foi violada por Siquém, filho de Hamor; Simeão e Levi, irmãos de Diná, por seu pai e mãe, tomaram terrível vingança por esta ofensa, assassinando todos os indivíduos do sexo masculino da cidade de Hamor, sendo esta cidade (Gn 34) também saqueada.
        18) ZILPA
        Uma mulher siríaca que Labão deu a sua filha Lia para a servir, e que por Lia foi dada a Jacó para sua concubina. Foi mãe de Gade e Aser (Gn 29.24; 30.9 a 13).
        19) GADE
        Afortunado. Filho de Jacó e de Zilpa, serva de Lia (Gn 30.9, 10, 11). Teve Gade sete filhos (Gn 46.16), saindo mais tarde do Egito a tribo de Gade em número de 45.650 pessoas. Depois de terem sido derrotados os reis Ogue e Siom, desejaram Gade e Rúben que a sua porção territorial fosse ao oriente do Jordão, como sendo mais conveniente do que a região ocidental para as suas grandes manadas. Moisés cedeu ao seu pedido, com a condição de que eles haviam de acompanhar os seus irmãos e ajudá-los a conquistar a terra ao ocidente do rio Jordão. A herança de Gade era limitada ao norte pela tribo de Manassés, ao ocidente pelo Jordão, ao sul pela tribo de Rúben, tendo ao oriente as montanhas de Gileade, mas estes limites, a não ser os da parte ocidental, eram muito incertos. O território de Gade era uma combinação de ricas terras de lavoura e de pastagens, com belas florestas. É, também, terra de rios e nascentes, e os desfiladeiros por onde correm as abundantes águas desde os montes até ao vale do Jordão, são de grande beleza. Mas, sendo a gente de Gade impetuosa e guerreira, não tardou muito que os limites da tribo se estendessem além dos primitivos, e compreendessem toda a região de Gileade. Foram onze os heróis de Gade, que se juntaram a Davi no tempo da sua maior angústia (1 Cr 12.8). Freqüentes vezes os homens de Gade entraram em guerra com os amonitas, os agarenos, e os midianitas, e outras tribos errantes dos ismaelitas a quem tinham desapossado dos seus territórios (1 Cr 5.19 a 22). Jefté, que foi juiz de Israel e era natural de Mispa, pertencia à tribo de Gade (Jz 11); e também Barzilai (2 Sm 19.32 a 39), e provavelmente o profeta Elias. Foi campo de muitas batalhas o território de Gade durante as longas e terríveis lutas entre a Síria e Israel, e em conseqüência disso sofreu muito aquela região (2 Rs 10.33; Am 1.3). O povo de Gade foi levado para o cativeiro por Tiglate-Pileser (Tiglate-Pileser, rei da Assíria (o terceiro ou mais propriamente o quarto rei desse nome) ) (1 Cr 5.26); e no tempo de Jeremias foram as cidades daquela tribo habitadas pelos amonitas (Jr 49.1).
        20) BILA
        Serva de Raquel, a filha mais nova de Labão. Foi concubina de Jacó, que teve dela dois filhos: Dã e Naftali (Gn 29.29 e 35.25). O seu pecado com Rúben levou Jacó a predizer o mal que havia de cair sobre os seus descendentes (Gn 35.22 e 49.4).
        21) RAQUEL
        Ovelha. Foi mulher de Jacó. Este só conseguiu casar com ela depois de ter servido Labão, pai dela, e seu tio, por espaço de quatorze anos. O fato de Raquel ter furtado as imagens de seu pai mostra que ela não estava ainda livre das superstições e idolatria, que prevaleciam na terra, de onde Abraão tinha sido chamado (Js 24. 2,14). Era irmã de Lia, e foi mãe de José e Benjamim. Morreu Raquel na ocasião em que dava à luz seu filho Benjamim, sendo sepultada no caminho para Efrata, isto é, em Belém. O seu túmulo, o primeiro exemplo bíblico de ser erigido um monumento sepulcral, ainda ali se mostra (Gn 35.19). Mas em 1 Sm 10.2 se lê que o túmulo da mãe de José estava no limite setentrional de Benjamim, em Ramá (Jr 31.15). A explicação que tem sido dada é esta: o verdadeiro sepulcro de Raquel estava realmente em Belém, de Judá, mas uma semelhança do mesmo túmulo se tinha posto em Ramá, que era território de seu filho Benjamim. Os incidentes da sua vida acham-se descritos em Gênesis caps. 29,30,31,33 e 35. Jeremias (31.15) e Mateus (2.8), quando escreveram Raquel, quiseram significar as tribos de Efraim e Manassés, os filhos de José. A profecia de Jeremias foi cumprida quando estas duas tribos foram levadas cativas para além do rio Eufrates. E Mateus (2.18) serve-se desse fato para ilustrar o terrível acontecimento de Belém, quando Herodes mandou matar os meninos que tivessem de idade até dois anos. Por conseqüência, podia afirmar-se que Raquel, que ali estava sepultada, chorava a morte de tantas crianças inocentes.
        22) DÃ
        Quinto filho de Jacó, e o primeiro de Bila (Gn 30.6), de cuja vida pessoal nada sabemos. Quando se fez a enumeração do povo, no deserto do Sinai, continha a tribo de Dã 62.700 homens, que podiam trabalhar, sendo esse número apenas excedido por Judá. A porção da Terra Prometida, que lhe foi marcada para sua possessão, era a mais pequena das doze, mas tinha eminentes vantagens naturais. Estendia-se desde Jafo, que depois foi Jope, e agora é Yafa, ao norte, até Ecrom e Gate-Rimom ao sul, e compreendia uma das mais férteis regiões de toda a Palestina. A posse, porém, deste território foi disputada primeiramente pelos amorreus e depois pelos filisteus, que obrigaram os danitas a deixar os campos de trigo da planície, com o seu terreno preto, e a procurar aquelas povoações, cujas ruínas ainda coroam os montes, que cercam as terras baixas. Em conseqüência disto procuraram os danitas outra herança no país de Lais (Jz 18). Aqui, na sua rica possessão do norte, puderam os danitas gozar aquele repouso que lhes tinha sido negado na sua primitiva morada. Depois do tempo de Davi, vai-se desvanecendo o nome de Dã, aplicado a uma tribo. Sansão pertencia à tribo de Dã. Merece ser observado que o nome de Dã é omitido na lista do Apocalipse (cap.7). Talvez a razão disto seja o esperar-se que o anticristo havia de vir daquela tribo.
        23) NAFTALI
        A minha luta. O sexto filho de Jacó; e era filho de Bila (Gn 30.8). Por ocasião do Êxodo, a tribo de Naftali tinha 53.400 homens, prontos a pegar em armas (Nm 1.43; 2.30). Sob o governo de Baraque distinguiram-se valentemente os naftalitas e os zebulonitas contra o exército de Jabim, o mais novo; e conforme o desejo de Gideão, eles perseguiram os midianitas (Jz 4.10; 5.18; 7.23). Mil outros capitães, à frente de 37.000 homens, auxiliaram a coroação de Davi (1 Cr 12.34, 40). Ben-Hadade, rei da Síria, instigado por Asa, assolou a terra de Naftali. E também em tempos posteriores sofreu com as invasões dos sírios (1 Rs 15.20). Muitos dos naftalitas, se não foi a maior parte, foram levados cativos por Tiglate-Pileser, rei da Assíria (2 Rs 15.29). Josias purificou da idolatria o país de Naftali (2 Cr 34.6). E, neste mesmo território, Jesus e os Seus discípulos freqüentes vezes pregaram (Is 9.1; Mt 4.13, 15). Aquela porção da terra de Canaã, que coube à tribo de Naftali. Constava de uma longa e estreita faixa de território, ao ocidente do mar de Genesaré, estendendo-se muito para o norte, do lado ocidental do Jordão, até ao Líbano. No tempo do nosso Salvador, a terra de Naftali achava-se incluída na Galiléia, e, como fazendo parte desta província, havia de ser muito mais importante do que tinha sido antes. Porquanto foi o berço da fé cristã, a terra de onde foram naturais quase todos os apóstolos, e a pátria de Jesus Cristo. Tornou-se além disso populosa e próspera, muito acima do que se acha indicado no A.T.
        24) JOSÉ
        Ele (O Senhor) acrescenta. Filho do patriarca Jacó e de Raquel; nasceu em Padã-Arã, depois de; por muito tempo, ter Raquel esperado em vão por um filho (Gn 30.1,22 a 24). Os filhos da mulher favorita de Jacó foram José e Benjamim, sendo cada um deles particular objeto da profunda afeição de seus pais. Em virtude desta parcialidade surgiram acontecimentos de grande importância. Na primeira referência que a José se faz depois do seu nascimento, é ele um rapaz de dezessete anos, dileto filho de Jacó, tendo já este patriarca atravessado o rio Jordão, e havendo fixado em Canaã a sua residência. Raquel já tinha morrido, e por esta razão era de Jacó que pendia o cuidado dos dois filhos favoritos, e também por ser ainda jovem, servia José de portador de recados para seus irmãos mais velhos, que estavam longe, guardando os rebanhos; e, andando ele vestido com roupa superior à deles, era isso motivo de grande ofensa para os filhos de Jacó. Talvez o seu pai tivesse feito a "túnica de muitas cores" com as suas próprias mãos, em conformidade com o costume ainda em voga entre os beduínos. E explica-se assim o ódio e o ciúme daqueles moços. Tanto a sua mãe como ele próprio tinham sido colocados desde o princípio em lugar de honra. Era Raquel a verdadeira esposa; e por isso só ela é nomeada como "mulher de Jacó" na genealogia, que vem no cap. 46 de Gênesis. Além disso, a retidão de José era tal que eles reconheciam a sua própria inferioridade, comparando as suas vidas com a de José, mais pura e mais tranqüila. E então acontecia que ele levava a seu pai notícias dos maus feitos de seus irmãos (Gn 37.2). Mas parece que foi a "túnica talar de mangas compridas" que fez que o ódio de seus irmãos se manifestasse em atos (Gn 37.3). Mais insuportável se tornou José para com os seus irmãos quando ele lhes referiu os sonhos que tinha tido (Gn 37.5 a 11). Não tardou muito que se proporcionasse a oportunidade de vingança. Os irmãos de José tinham ido apascentar os seus rebanhos em Siquém, a 80 km de distância; e querendo Jacó saber como estavam seus filhos, mandou José ali para trazer notícias dos pastores. Mas como estes já se tinham retirado para Dotã, para ali também se dirigiu José, andando mais 24 km. Tinha bebido pela última vez do poço de Jacó. Dotã era uma importante estação, que ficava na grande estrada para caravanas, que ia de Damasco ao Egito. Havia, por aqueles sítios, ricas pastagens, estando a terra bem suprida de cisternas ou poços. Eram estas cisternas construídas na forma de uma garrafa, estreitas por cima e largas no fundo, estando muitas vezes secas, mesmo no inverno. E também eram empregadas para servirem de prisão. Naquela região foi encontrar José os seus irmãos, que resolveram tirar-lhe a vida (Gn 37.19,20). Mas Rúben, ajudado por Judá, fez todo o possível para o salvar, e isso conseguiu, não podendo, contudo, evitar que ele fosse vendido como escravo (Gn 37.36). Os compradores eram negociantes ismaelitas ou midianitas, os quais, tendo dado por José vinte peças de prata, tomaram a direção do Egito (Gn 37.25, 28,36). Entretanto os irmãos de José levaram a seu pai a túnica de mangas compridas, com manchas de sangue de uma cabra, para fazer ver que alguma fera o havia devorado. José foi levado ao Egito e vendido como escravo a Potifar, oficial de Faraó (Gn 39.1). Bem depressa ganhou a confiança de seu senhor, que lhe entregou a mordomia da sua casa (Gn 39.4). Depois disto foi José tentado pela mulher de Potifar, permanecendo, contudo, fiel a Deus e a seu senhor (Gn 39.8,9); sendo falsamente acusado pela dona da casa, foi lançado numa prisão (Gn 39.20). O carcereiro-mor tratava José com certa consideração (Gn 39.21); e no seu encarceramento foi o moço israelita feliz na interpretação dos sonhos de dois companheiros de prisão, o copeiro-mor e o padeiro-mor de Faraó (Gn 40). O copeiro-mor, quando o rei precisou de um intérprete para os seus sonhos, contou ao monarca que tinha conhecido na prisão um jovem de notável sabedoria (Gn 41.1 a 13). Em conseqüência disto foi José chamado, afirmando ele que só como instrumento do Altíssimo Deus podia dar a devida interpretação (Gn 41.16). Explicado o sonho de Faraó, ele aconselhou o rei a respeito das providências que deviam ser tomadas, por causa da fome que ameaçava afligir o Egito. Faraó recebeu bem os seus conselhos, e colocou-o na posição própria do seu tino e sabedoria, dando-lhe, além disso, em casamento a filha do sacerdote de Om (Gn 41.37 a 45). Nesta ocasião foi-lhe dado por Faraó um nome novo, o de Zafenate-Panéia. Durante os sete anos de abundância, preparou-se José para a fome, pondo em reserva uma quinta parte do trigo colhido (Gn 41.34,47 a 49). Os governadores egípcios, em épocas anteriores à do governo de José, vangloriavam-se de terem providenciado de tal maneira que nos seus tempos não tinha havido escassez de gêneros. Mas uma fome de sete anos era acontecimento raríssimo, e tão raro que num túmulo de El-kad se acha mencionado um caso daquele gênero em certa inscrição, na qual o falecido governador da província declara ter feito a colheita dos frutos, e distribuído o trigo durante os anos de fome. Se trata da mesma fome, deve este governador, cujo nome era Baba, ter operado sob a suprema direção de José; porquanto está expressamente fixado no Sallier Papyrus que o povo da terra traria os seus produtos a Agrepi (o Faraó do tempo de José) em Avaris (Hanar). Mas com tantos cuidados não se esqueceu o governador israelita do seu Deus e dos seus parentes. Os seus dois filhos, Manassés e Efraim, nasceram antes da fome. Tendo-lhes dado nomes hebraicos, mostrou que o seu coração estava ainda com o seu próprio povo, e que, de um modo especial, era fiel ao Deus de seus pais (Gn 41. 50 a 52). Com efeito, os acontecimentos foram tão maravilhosamente dispostos, que ele veio novamente a relacionar-se com a sua família. A fome foi terrível na terra de Canaã, e Jacó olhou para o Egito, como sendo o país donde lhe havia de vir o socorro (Gn 42.1 a 6). A descrição da visita dos filhos do patriarca ao Egito, e o fato de serem eles reconhecidos por José, tudo isso se lê em Gn 42 a 45. Não é nada estranho que sendo os seus irmãos reconhecidos por José, não o tivesse este sido (Gn 42.8). Desde que o jovem israelita se separou dos seus irmãos, ele tinha crescido de rapaz a uma madura virilidade, ao passo que eles já tinham alcançado aquela idade em que as exteriores aparências pouco mudam. Além disso, José tinha-se tornado um egípcio pelo seu vestuário e linguagem, enquanto seus irmãos conservavam o primitivo cunho dos seus antepassados; ele era já um verdadeiro príncipe, mas eles tinham permanecido no seu estado de pastores, como os conhecera. Tendo revelado a seus irmãos quem era, desejou José que seu pai fosse para o Egito (Gn 45.4 a 13), sendo o seu pedido apoiado na autorização de Faraó. E então o patriarca, a sua família, e os seus criados foram viver no Egito, sendo-lhes dada para sua habitação "o melhor da terra"; e ali eram sustentados por José (Gn 47.6,12). Tem-se dito que a terra de Gósen do tempo de José devia ter por limite setentrional o sítio do entroncamento da atual estrada de ferro de Zagazig, perto de Tel-el-Kebir, estendendo-se ao sul, para além de Belbis. Aquela região é, na realidade, fértil, existindo ali uma grande e próspera população. Zagazig está perto da antiga Bubastis, cujo território, em tempos faraônicos, se chamava "Sckhetnuter", a campina divina. As investigações, que ultimamente se têm feito em Bubastis (Tel-Basta), revelaram o fato de que ali esteve a principal residência dos reis hicsos. A fome do Egito habilitou José, de harmonia com os interesses do seu rei, a concentrar a propriedade da terra nas mãos do monarca (Gn 47.13 a 26), com exceção do que pertencia aos sacerdotes. Mas o povo foi salvo dos horrores da fome. Entretanto, a colônia hebraica multiplicava-se extraordinariamente (Gn 47.27). Passados dezessete anos, prometeu José a seu pai Jacó que, como ele desejava, seria enterrado junto de seus pais (Gn 47.29 a 31). Os filhos de José aproximaram-se do velho patriarca moribundo, que os abençoou (Gn 48; Hb 11.21). Nessa ocasião, foram, também, chamados para junto do leito os filhos do patriarca, sendo profetizados os seus caracteres e o futuro das respectivas famílias, e ficando eles encarregados de sepultar o seu pai na caverna que Abraão havia comprado (Gn 49.33). O funeral de Jacó foi realizado com aquele esplendor próprio da condição do filho (Gn 50.7 a 9). Os seus irmãos, após a morte do patriarca Israel, tiveram receio de que tudo para eles mudaria, mas José os tranqüilizou (Gn 50.15 a 21). Ele ainda viveu muito tempo, morrendo no Egito com cento e dez anos (Gn 50.26). O seu corpo foi embalsamado, e de conformidade com sua vontade (Gn 50.25) foi levado para Canaã pelos israelitas, e sepultado em Siquém (Êx 13.19; Js 24.32; At 7.16). O nome de José é empregado em Dt 33.13 a respeito das duas tribos, que descendiam de Efraim e Manassés; e em Am 5.6,15 em relação ao reino do Norte, no qual era predominante a tribo de Efraim.
        25) BENJAMIM
        Filho da mão direita. Nome que lhe foi dado por seu pai Jacó. A sua mãe moribunda tinha dado à recém-nascida criança o nome de Benoni, filho da minha aflição (Gn 35.18). Benjamim era dos doze filhos do patriarca Jacó o mais novo, e teve com o seu irmão José, filho da mesma mãe, a mais afetuosa estima da parte de seu pai. Benjamim era a grande consolação do seu idoso pai, e correspondia com igual afeto à grande amizade que lhe tinha o seu irmão José, mais velho do que ele (Gn 45.14). Nasceu na Palestina, entre Betel e Belém, e a sua vida, quando foi dado à luz, custou a vida de sua mãe (Gn 35.16 e seguintes). Nada mais se sabe de Benjamim até àquela ocasião em que seus irmãos tiveram de ir ao Egito para comprar trigo. Revela-se, então, o seu caráter como bem amado filho e querido irmão. É ele o favorito de toda a família, e ainda que pai de numerosa descendência, foi sempre considerado como aquele de quem o resto da família devia ter especial cuidado (Gn 46.21; 44.20). A partir de então a sua vida se extingue na da tribo, a que deu o seu nome. Ele, que parece ter sido o menos varonil dos doze, foi o fundador de uma tribo de guerreiros temíveis. Mas a fortaleza e as qualidades guerreiras desta gente provinham do seu escabroso país que estava também exposto aos ataques dos seus inimigos de fora. Que isto havia de ser assim, foi anunciado por Jacó à hora da sua morte (Gn 49.27).
        26) EFRAIM
        Fértil. Segundo filho de José, nascido no Egito (Gn 41. 52). Quando foi levado à presença do patriarca Jacó com Manassés, Jacó pôs a sua mão direita sobre ele. Quis José mudar as posições dos seus dois filhos, mas Jacó recusou (Gn 48.8 a 20).
        27) MANASSÉS
        Causando esquecimento. O filho mais velho de José (Gn 41.51). José apresentou os seus dois filhos a seu pai Jacó, já moribundo, para que os abençoasse. Jacó os adotou: mas o direito de nascimento foi dado a Efraim, embora fosse o mais novo (Gn 48.1 a 22). A tribo de Manassés saiu do Egito em número de 32.200 homens, compreendendo os de 20 anos para cima, e sendo Gamaliel o seu príncipe, que era filho de Pedazur (Nm 2.20,21). Esta tribo dividiu-se na Terra Prometida. Meia tribo de Manassés estabeleceu-se ao oriente do Jordão, possuindo o país de Basã, desde a ribeira de Jaboque para o norte; e a outra meia tribo de Manassés ficou ao ocidente do Jordão, e tinha as terras que ficavam entre Efraim, ao sul, e Issacar, ao norte (Js 17.10). Gideão e Jefté eram manasseitas. À meia tribo do oriente do Jordão se juntaram Rúben e Gade preparando 120.000 homens, com toda a sorte de instrumentos de guerra, a fim de tomarem parte na coroação de Davi em Hebrom (1 Cr 12.37). Mas a prosperidade levou os manasseitas à idolatria, os quais receberam o seu castigo, sendo arrastados ao cativeiro por Pul e Tiglate-Pilneser (1 Cr 5.23 a 26). Houve membros da tribo de Manassés, que exerceram um papel importante nas diversas reformas religiosas (2 Cr 15.9; 30.1; 31.1; 34.6).


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