| == Cânone do Antigo Testamento == |
| Antes mesmo de Deus ter ordenado a Moisés que escrevesse, pela primeira vez, |
| um memorial a respeito da vitória de seu povo sobre os amalequitas, a Palavra de Deus |
| já circulava entre os homens sob o método da transmissão oral: "Escuta-me, |
| mostrar-te-ei; e o que tenho visto te contarei; o que os sábios anunciaram, ouvindo-o de |
| seus pais, e o não ocultaram ...". ([[Jó]] 15:17,18) |
| Os Evangelhos registraram várias citações de [[Jesus]] do Antigo Testamento, |
| comentando sobre o Gênesis, Deuteronômio, Números, I Samuel, Salmos, Malaquias, |
| Daniel, reconhecendo-os como a Palavra de Deus ([[Evangelho de Mateus|Mateus]] |
| 12:3; 19:4; 22:37-40). |
| Para se conferir a confiança que os escritores do [[Novo Testamento]] tinham do Antigo, |
| basta conferir as centenas de citações da [[Torá|Lei]], dos profetas e outros escritos. |
| Acredita-se que começando por Moisés, à proporção que os livros iam sendo escritos, |
| eram postos no [[Tabernáculo]], junto ao grupo de livros sagrados. Especula-se que |
| tivesse sido Esdras quem reuniu os diversos livros e os catalogou, desse modo |
| estabelecendo a coleção de livros inspirados por Deus. Desses originais, os copistas ou |
| [[escriba]]s fizeram cópias para uso das sinagogas largamente disseminadas. Porém a |
| crítica não aceita a tese de que livros posteriores ao tempo do profeta figuram na [[Bíblia |
| Hebraica]], como é o caso do Livro de Daniel. Segundo especialistas, isso explicaria |
| porque o Livro de Daniel não figura entre os escritos proféticos, mas nos hagiógrafos. |
| O prólogo da versão grega do Eclesiástico, datado em 130 a.C parece já confirmar a |
| suspeita dos estudiosos modernos. Com efeito nele lemos: ''"Pela Lei, pelos Profetas e |
| por outros escritores que os sucederam, recebemos inúmeros ensinamentos importantes |
| (...) Foi assim que após entregar-se particularmente ao estudo atento da Lei, dos |
| Profetas e dos outros Escritos, transmitidos por nossos antepassados [...] |
| Nota-se que o cânon indicado neste escrito considera canônicos livros posteriores ao |
| tempo dos profetas. |
| As descobertas do Mar Morto e Massada mostram que entre os antigos judeus ainda |
| não havia um cânon bíblico fixo ou instituído, que só veio depois do século I a criar corpo, |
| e mesmo assim com muitas divergências. |
| Alguns dizem que o Cânone Hebraico de 39 livros, só foi realmente fixado no '''[[Concílio |
| de Jâmnia]]''' em [[100]], embora nesse mesmo concílio livros como o de Ester, Daniel, |
| Cântico dos Cânticos, ficaram de fora do cânon, que só veio a ser fixado mesmo no |
| [[século IV. Estudiosos como Leonard Rost garantem que tais decisões demoraram |
| muito para serem aceitas e até hoje não tiveram aceitação em muitas comunidades |
| judaicas; como o caso dos judeus do Egito, quem tem um cânon semelhante ao |
| Católico e Ortodoxo. |
| O [[Concílio de Jâmnia]] rejeitou todos os livros e demais escritos e considerando-os |
| como [[apócrifos]], ou seja, não tendo evidências de inspiração por Deus e fonte de fé, |
| tanto quanto da verdadeira autoria. Houve muitos debates acerca da aprovação de certos |
| livros, como Ester e Cântico dos Cânticos, conforme registro da Mishiná. A tese de que |
| o trabalho desse Concílio foi apenas ratificar aquilo que já era aceito pela grande maioria |
| dos judeus através dos séculos, carece de fundamento científico e é rejeitada pela |
| majoritariamente pelos especialistas. |
| Até os primeiros quatro séculos, na Igreja Primitiva não havia um parecer oficial sobre o |
| Cânon do AT. As opiniões eram muito diversas. Pais da Igreja como Melitão, Cipriano e |
| Rufino postulavam pelo Cânon Hebraico (com 39 livros, excluindo os deuterocanônicos). |
| Já Ireneu, Justino e Agostinho defendiam o Cânon Alexandrino (com 46 livros, incluindo |
| os [[Deuterocanônicos]]). Jerônimo começou negando a canonicidade dos |
| [[Deuterocanônicos]], embora os tenha incluíndo em sua [[Vulgata]]. Escritos seus |
| posteriores mostram que esta sua posição inicial foi revista, é o que se verifica em sua |
| Carta a Rufino e outra a Paulino, Bispo de Nola. |
| No final do séc. IV, Concílios Ecumênicos (significa mundial) reafirmaram o Cânon |
| Alexandrino. É o caso dos Concílios de Roma (382 d.C, dando origem ao Cânon |
| Damaseno), Hipona I (cânon 36, 393 d.C), Cartago III (cânon 47, 397 d.C), IV (cânon 24, |
| 417 d.C) e Trullo (cânon 2, 692). Um documento conhecido como Decreto Gelasiano |
| (496 d.C) também opta pelo Cânon Alexandrino. |
| As Igreja Orientais também fizeram sua opção pelo Cânon Alexandrino, adotando a |
| [[Septuaginta]] como a versão oficial do AT. |
| Desta forma, depois do séc. IV, o Cânon Alexandrino havia obtido aceitação ampla em |
| toda Igreja: no Ocidente com as versões da [[Vetus Latina]] e a [[Vulgata]]. e no Oriente |
| com a [[Septuaginta]]. |
| === Novas controvérsias sobre o Cânon do AT === |
| No início do séc. XV, um grupo dissidente da Igreja Copta (também chamados de |
| Monofisistas), conhecidos como Jacobitas questionaram o Cânon Alexandrino entre |
| outras coisas. Em 1441, O Concílio Ecumênico de Florença, através da Bula ''Cantate |
| Domino'' (4/2/1442) reafirma o caráter canônico do Cânon Alexandrino. |
| Com a Reforma Protestante, Lutero volta a questionar o caráter canônico dos |
| [[Deuterocanônicos]] do Antigo e trechos e livros Novo Testamento como a carta de |
| [[Epístola de Tiago|Tiago]] - [[II Pedro]] - [[II João]] - [[III João]] - [[Epístola de |
| Judas|Judas]] - [[Apocalipse de São João|Apocalipse de João]], negando inclusive seu |
| caráter eclesiástico, pois para ele estes livros eram contrários à Fé. Em 1545, é |
| convocado o [[Concílio de Trento]], que novamente reafirma o caráter canônico do |
| Cânon Alexandrino. |
| No início não houve consenso entre os Protestantes sobre o Cânon do AT e do NT. O |
| Rei Tiago da Inglaterra, responsável pela famosa tradução KJV (King James Version), |
| defendia que os [[Deuterocanônicos]] deveriam continuar constando nas Bíblias |
| Protestantes. |
| Logo depois a Igreja Ortodoxa Russa resolve deixar como facultativa a aceitação ou não |
| do Cânon Alexandrino. |
| Segundo a Fé Cristã, Jesus foi o redentor de quem o Antigo Testamento deu testemunho. |
| Neste contexto, suas palavras não podiam ter menos autoridade do que a Lei e os |
| Profetas. Convencidos disto, os cristãos as repetiam sempre. Em momentos oportunos |
| os Apóstolos e os Evangelistas colocaram parte dela na forma escrita, o que se tornou o |
| núcleo do cânone definido pela Igreja nos primeiros séculos. |
| Segundo o historiador da Igreja Primitiva, o Bispo Eusébio de Cesaréia (séc. IV), os |
| apóstolos e os evangelistas nunca tiveram em mente deixar qualquer coisa por escrito |
| (note que a grande maioria dos apóstolos nada escreveu), quando o fizeram foram |
| forçados por situações especiais, como a impossibilidade de se encontrar com alguma |
| comunidade, por exemplo (ver História Ecleisástica, III, 24,3-7). |
| Como no Antigo Testamento, homens inspirados por Deus escreveram aos poucos os |
| livros que compõem o Cânone do Novo Testamento. No ano [[100]], todos os 27 livros |
| canônicos do Novo Testamento estavam escritos, porém não havia ainda uma lista |
| autorizada de livros para o NT. Assim como o cânon do AT, o cânon do NT levou muitos |
| séculos para ser fixado. |
| Em nenhum escrito do NT consta uma lista autorizada dos livros que devem ser |
| considerados sagrados. Somente em 2Pd 3,15-16, o Apóstolo Pedro confessa que os |
| escritos do Apóstolo Paulo são Escrituras Sagradas, mas não os relaciona e nem |
| relacionada quais seriam os outros livros da Escritura. |
| A Referência mais antiga que se tem sobre o Cânon do NT se encontra em um |
| manuscrito descoberto pelo sacerdote italiano [[Ludovico Antonio Muratori]] no séc. XVIII, |
| datado do séc. II. Por causa do nome de seu descobridor, este documento ficou |
| conhecido como ''[[Cânon de Muratori]]''. Neste escrito estão relacinados os 4 Evangelhos, |
| as cartas paulinas , Judas e 1,2 João e o Apocalipse. Não são relacionadas as epístolas |
| Hebreus, Tiago e as de Pedro. |
| Muitas controvérias existiram para se reconhecer o caráter canônico de livros com |
| Hebreus, Tiago, Judas, Apolocalipse, 2 e 3 João e 2 Pedro. Por esta razão alguns |
| estudiosos os chamam de [[Deuterocanônicos]] do NT. |
| Da mesma forma, outros livros já estiveram no cânon NT, porém depois foram rejeitados. |
| É o caso da Primeira Carta de Clemente aos Coríntios (séc. I) e o Pastor de Hermas |
| (séc. II). |
| A lista completa dos livros do NT conforme existe hoje aparece pela primeira vez na |
| Epístola 39 de [[Santo Atanásio de Alexandria]] para a Páscoa de 367 d.C. |
| Esta mesma lista foi confirmada por documentos posteriores como o |
| [[Decreto Gelasiano]], e os Cânones de Hipona, Cartago III e IV. |
| Durante a [[Reforma Protestante]], Martinho Lutero demonstrou dúvida quanto à autoria |
| e canonicidade de alguns livros do Novo Testamento: Hebreus, Tiago, Judas e o |
| Apocalipse. No entanto, ao traduzir o Novo Testamento para o alemão em 1522, Lutero |
| traduziu esses livros perfazendo ao todo 27 livros que temos hoje, mesmo não os |
| considerando inspirados. |
| O [[Concílio de Trento]], no 1º Período (1545-48), promulgou os decretos sobre o cânon |
| sagrado para a Igreja Católica Romana reafirmando o Cânon do Novo Testamento também |
| com os 27 livros que temos hoje. |
terça-feira, 25 de outubro de 2011
Canôn
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