Cultura
Judaica
Calendário
Litúrgico Anual
As principais
festas judaicas estão associadas ao ciclo da natureza. As
comemorações ligadas às primícias, às colheitas transformaram-se
em datas de aniversário de acontecimentos da história de Israel.
Dias um e dois de
Tishri (Setembro) festejam a criação do Homem, o
começo do ano. Também chamado Dia do Julgamento, Deus abre três
livros: um para os justos, outro para os iníquos, e outro para os
que se desviam desta categorização. Tocam o shoffar
convidando os homens a lembrar-se do seu passado, a arrepender-se dos
pecados, a penitenciar-se. Durante os festejos, consomem alimentos
escolhidos pelo seu simbolismo: comem a cabeça de um animal para
viverem o ano com a cabeça; o pão que habitualmente molha em sal, é
mergulhada em mel, juntamente com um pedaço de maçã para que o ano
novo seja doce. À tardinha, numa cerimónia chamada Tashlich
(deitarás fora) deslocam-se a um local (rio, mar, ...) onde haja
peixe e atiram-lhes migalhas de pão que representam os pecados.
É a celebração
mais solene do calendário judaico. Comemora a dez de Setembro, marca
o culminar dos dez dias de penitência iniciados em Rosh
Hashaná. Os judeus adultos abstêm-se de comer durante vinte
e quatro horas. consagram o tempo à oração , ao ascetismo, ao
arrependimento. A liturgia começa com o Kol Nidré:
rogam a Deus pelo incumprimento dos votos e promessas feitos durante
o ano. Oram também pelos parentes falecidos, ouvem a leitura do
Torá, do livro de Jonas. É o dia de reconciliação entre judeus.
Devem perdoar-se os males e repará-los.
Ligada
à antiga festa das colheitas, celebra-se durante oito dias, entre
quinze e vinte e dois de Tishri (Setembro/Outubro).
Lembra-te o tempo em que o povo de Israel errou pelo deserto, depois
da saída do Egipto. É costume cada família construir uma cabana
com ramos e flores, simbolizando a condição nómada do povo hebreu.
É
a festa de exaltação da Lei revelada por Deus ao povo escolhido.
É celebrada a quando da leitura da última das 54 secções da Torá.
Na Sinagoga há manifestações de alegria; os rolos do livro da Lei
são retirados do Arón (armário sagrado) e
transportados pelos fiéis em procissão, dando sete voltas em torno
do recinto sagrado. Cantam e dançam. Os personagens principais da
festa são o hatán Torá (noivo da Lei) e o hatán
bereshit (noivo do Génesis), ou seja, os homens da
comunidade a quem compete ler a última secção do Deuteronómio e a
primeira secção do Génesis. São os noivos, porque afinal a Torá,
a Lei, é a esposa do povo de Israel.
Tem
lugar em Kislev (Novembro/Dezembro) e dura oito dias.
Festa das luzes comemora a vitória dos irmãos Macabeus em 165 a.C.,
sobre Antíoco Epifanes, o governador grego que havia proibido a
prática do judaísmo e pretendia helenizar os judeus. Os Macabeus
quiseram re-inaugurar o templo judaico e reacender a menorá
(candelabro de sete braços); porém, tinham um só recipiente de
óleo kasher (puro). Milagrosamente o óleo que seria
suficiente para vinte e quatro horas ardeu durante oito dias, o tempo
necessário para o fabrico de óleo adequado. Desde então, em cada
casa, vão-se acendendo oito luzes, uma a uma, em cada dia, nas
hanukias, candelabros especiais que simbolizam milagre.
Comemora-se
aos quinze dias de Shevat (Janeiro/Fevereiro). Festa
menor é conhecida como o ano novo das árvores. Depois
do Inverno a natureza começa a ressurgir. E os judeus comem frutas,
adornam a mesa com flores, entoam cânticos em louvor do renascer da
natureza.
Dia
catorze de Adar (Fevereiro/Março) tem lugar a
celebração de Purim. Lembram a história narrada no
livro bíblico de Ester, jovem judia, que ocultou a sua identidade
religiosa e encantou o rei persa Assuero. O tio, Mardoqueu,
desencadeia a ira de Amã, conselheiro do rei, porque se recusa a
prostrar-se à sua passagem.
Entre
quinze e vinte e dois de Nissan (Março/Abril), os
judeus comemoram a saída do Egipto, liderados por Moisés. Festa do
cordeiro, dos ázimos, da Primavera é uma das festividades mais
relevantes do judaísmo. É o tempo do reafirmar da consciência
judaica. A casa é purificada; todos os utensílios usados para a
alimentação são escaldados ou lavados em água corrente. Há
famílias que possuem recipientes para usar exclusivamente durante
esta festividade. Anualmente é lido o relato da saída do Egipto e o
elemento mais novo deve perguntar ao chefe da família: Em que se
distingue esta noite? A refeição ritual do Seder
permitirá a explicação. Na mesa deverá haver
lugar para o profeta Elias (cadeira e cálice), vêem-se três Masot
(pães sem fermento) relembrando a partida precipitada dos
judeus e simbolizando a busca do povo pela liberdade; Um osso de
cordeiro representando o sacrifício no Templo; um ovo cozido,
mergulhado em água salgada simbolizando o nascimento e a morte, a
fugacidade da vida terrena, as lágrimas e os sofrimentos dos judeus;
o Maror, ou ervas amargas lembrando a amargura que os
antepassados sofreram no Egipto e que todos os escravizados sentem;
Harroset, uma pasta feita de frutos secos, figos,
tâmaras, canela e mel representando a argila com que os judeus
efectuavam as obras do faraó. Ao lado, um recipiente com água
salgada e vinagre, no qual se molham as ervas amargas e se recorda a
travessia do mar Vermelho, na fuga para a terra prometida. No
decorrer da cerimónia, bebem quatro copos de vinho especial e
recitam a Hagadá, o relato da saída do Egipto. A
Páscoa é, também, o período mais fortemente marcado pela luta de
separação entre as fés judaica e cristã. É tempo de definição
de linhagens de religiões que se dividiram a partir de uma crença
essencial: para os cristãos o Messias é Jesus Cristo, que realizou
a sua missão; os judeus continuam a sua espera messiânica pelo
reino de Deus, de Paz e de Amor.
Celebra-se a seis
e sete do mês de Sivan (Maio/Junho), sete semanas
depois da Páscoa. Festa de colheitas tem um sentido agrícola e
comemora a entrega das Tábuas da Lei a Moisés no Monte Sinai. Festa
de agradecimento pela benesse das colheitas, na Sinagoga é lido o
livro de Rute cujo cenário é a faina agrícola. Entoam cânticos de
louvor a Deus por haver outorgado a Lei a Israel.
É o dia mais
triste da História Judaica. Data de luto por excelência, situa-se a
nove do mês de Av (Julho/Agosto). Um jejum rigoroso
lembra os acontecimentos infelizes que ocorreram, nesse dia, em
várias épocas. Os hebreus fugidos do Egipto ouvem a proibição de
entrar na Terra Prometida; o primeiro e o segundo Templos são
destruídos ocasionando a Diáspora; a cidade de Béthar foi tomada
pelos romanos em 135. Associaram, por isso, a esta data todas as
desgraças que aconteceram ao povo judaico - Inquisição,
Perseguições, Nazismo -, bem como a cada judeu. O livro de
Lamentações de Jeremias, o livro de Job e os relatos sobre a
destruição do Templo são as leituras do dia.
Cerimónias
religiosas assinalam as idades da pessoa. Na verdade, "... as
fases fisiológicas da vida humana e, acima de tudo as crises e a
morte, constituem o núcleo de inúmeros ritos e crenças".
É assim com o nascimento, a adolescência, o casamento e a morte.
É um dos
preceitos fundamentais do judaísmo. É o mohel
(circuncidador) que procede à remoção do prepúcio. Durante a
cerimónia, a criança é colocada na cadeira de Elias, o profeta,
cuja presença os crentes invocam. O pai, o padrinho (sandak)
que segura a criança durante a operação, a mãe, familiares,
participam nesta festa que inclui um banquete. Durante a cerimónia é
atribuído um nome ao filho.
Ao atingirem a
maioridade religiosa, os treze anos, os jovens devem cumprir todos os
preceitos, participar nas cerimónias e integrar o miniám
(quórum de dez homens necessários à celebração religiosa). É
altura de festa para familiares e amigos. Nesse dia o jovem é
chamado para ler a Torá. A bath mishvá (filha do preceito),
a cerimónia correspondente para as jovens, não é festejada nas
comunidades ortodoxas. Porém aos doze anos a mulher é obrigada a
cumprir os mandamentos que lhe estão destinados.
Celebra-se na
Sinagoga. Debaixo da hupa (pálio nupcial), que quatro jovens
solteiros seguram, colocam-se os noivos. O rabi benze um copo de
vinho e dá a beber aos noivos: utilizam o mesmo copo como símbolo
da partilha a que se comprometem. Depois o noivo coloca um anel de
oiro na mão da noiva, garantia de que irão conviver seguindo a Lei
de Moisés. Segue-se a leitura da Ketubá, contrato
matrimonial, que especifica as obrigações dos noivos e o dote da
noiva. As sete bênçãos são, então, recitadas e, no
fim, o noivo parte um copo com o pé, recordando a dolorosa
destruição do Templo de Jerusalém. Seguem-se cânticos e música
em redor dos noivos até que a alegria e a felicidade transpareçam
no rosto de ambos. A festa continua com uma boda oferecida aos
convidados.
As comunidades
judaicas, quando morre uma pessoa, realizam um ciclo de complexas
cerimónias, durante um ano. A purificação inicia-se com a lavagem
do corpo e o do homem deve ser envolvido num tallit,
xaile de oração, ao qual se cortou um canto. A sepultura é
unipessoal e contém, habitualmente, um pouco de terra de Sião.
Feita a inumação do corpo é lida a oração
fúnebre - Kadish.
Os parentes próximos devem abster-se do consumo de carne e vinho
durante sete dias; também não trabalham. Um sinal de luto é usado
pelos parentes: um pedaço de pano preto rasgado em cima de uma peça
de vestuário. A memória do defunto deve ser honrada com a
distribuição de esmolas e orações. Nos trinta dias que se seguem
ao falecimento, os familiares não participam em actos festivos. É
ainda costume aquando da visita do túmulo, colocarem uma pedra na
sepultura
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